UM ENCONTRO EM PORTUGAL




Escritora Daiane Gomes 


Amostra Bônus 

















— Trouxe um presente pra ti. — Rafael beija meu ombro, saio da janela e o encaro, ele estava tão sensual usando apenas aquela calça de moletom, os cabelos longos estavam um pouco acima dos ombros, e a pele estava levemente vermelha, nos lugares onde apertei e mordi, durante nosso sexo selvagem.

— Presente? — Estava completamente nua por debaixo do cobertor em que estava enrolada. Hoje é domingo outra vez, já estava em Salvaterra de Magos há mais de dez dias. Rafael estava sendo mais presente, vindo me ver na sexta à noite e ficando comigo até domingo. Nesse tempo, ele tem passeado comigo pela cidade, me mostrando tudo o que pode. Eu acho que ele está tentando me convencer a morar aqui, pois chegou até a me mostrar casas que estão à venda. 

— Sim, mas antes…. — Ele me empurra para a cama e me beija. Solto um gemido, ele morde meu lábio inferior e o puxa. — Não sabes o quanto senti falta do teu corpo. — Sussurra antes de chupar minha orelha. Sinto cócegas. 

— Você me viu há menos de duas horas, Rafael. — Pego os cabelos dele e levanto sua cabeça para me olhar nos olhos.

— Acontece que tens um corpo viciante, minha diabinha. — Retirando meus dedos de seus cabelos, ele beija a palma da minha mão demoradamente, em um gesto carinhoso.

— Ah, então só está comigo pelo meu corpo? Me sinto usada e abusada. — Comento. Ele sorri enquanto beija meu pescoço. 

— Hum…. És deliciosa, Srta. Gomes. — Comenta, descendo para os meus seios. Ofego de prazer e agarro seus cabelos. 

— Eu não sou um doce, Rafael. — Reclamo enquanto deliro sob sua boca. 

— És sim. — Afirma. — És meu doce, só meu. — Declara, possessivo. Sorrio. — E se deixares outra pessoa provar-te. — Ele me olha intensamente e me penetra com força. Ofego com a invasão de surpresa. —  Terei que puni-la. — Declara. Choramingo confirmando com a cabeça, ele sorri e começa a se mover em mim, forte e intenso, uma, duas, três…. Duro e certeiro. Dez, onze, doze... Selvagem e bruto, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove... Estremeço e aqueço... Trinta e oito, trinta e nove, quarenta... Choramingo, o arranho e me contorço... Cinquenta... Grito quando o orgasmo chega violento e poderoso. Ele me beija com tanta vivacidade que me sinto arrebatada, mais duas estocadas e ele me preenche com sua semente. Fecho os olhos para ver. 

— Agora eu vi galáxias. — Sussurro quando ele se deita sobre mim, suado e ofegante. Minhas pernas não existem, sou uma gelatina de tão mole, uma gelatina com malária. Estava tremendo, rio de mim mesma. 

— Eu vi universos. — Retruca, me puxando para seu peito e me fazendo cafuné enquanto levanto a cabeça. 

— Por que você sempre quer ter a última palavra? 

— Porque gostas. 

— Convencido. — Me levanto da cama e vou tomar um banho. A água quente caí sobre minha pele sensível, minhas pernas ainda não funcionam direito. Sinto os braços dele me enlaçando pela cintura. 

— Eu tenho que ir. 

— Me sinto uma amante. — Reclamo, incapaz de segurar as palavras.

— O quê? Não digas merdas. 

— Mas é assim que eu me sinto. — Me viro de frente para ele. — Você fica a semana toda na capital e nos fins de semana vem transar comigo. Confessa, eu sou sua amante. — Saio do banheiro me secando, com ele andando atrás de mim. 

— Não és minha amante. — Ele acaricia meu rosto. Sento na cama e passo óleo de amêndoas no corpo, ele se veste rapidamente. — Não quero, mas tenho que ir. Vejo-te na sexta, tenho compromisso na quinta feira. — Explica. Claro que tem. 

— Vai sair agora? — Questiono.

— Sim, vou almoçar com os meus pais e ir para Lisboa à noite, preciso estar lá ao amanhecer. 

— OK, vai, divirta-se. — Me levanto e começo a me vestir. 

— Vais a algum lugar? 

— Vou chamar o Diogo pra almoçar comigo.

— Não estou a gostar dessa aproximação do Diogo. 

— Tô nem aí. — Dou de ombros enquanto prendo meu cabelo em um coque bagunçado. 

— Viestes a Portugal para ficar comigo! — Se exalta, e eu o olho com raiva.

— E você tem ficado comigo, por acaso?! 

— Tenho que trabalhar, sabes disso! 

— Desculpas e mais desculpas! Você não quer que eu saia com os seus amigos, você não sai comigo, eu estou cansada Rafael, não sou uma Rapunzel pra ficar escondida! Se você tem uma mulher em Lisboa basta me dizer, porra… — Não consigo terminar porque ele me beija, me prensando na parede. Ele me puxa para cima, eu enlaço as pernas em sua cintura e mergulho os dedos nos cabelos dele, aprofundando o beijo. Ouço o zíper da calça dele abrir, sinto sua glande inchada na entrada da minha buceta. Ele entra devagar, eu solto um gemido e puxo o cabelo dele. Rafael me penetra com força e rapidez, meio descontrolado e cego pela luxúria. Ele morde meu lábio com força, me tira da parede e me joga na cama, me coloca de quatro com o rosto no travesseiro e me penetra mais algumas vezes. Entre gemidos e murmúrios roucos, recebo umas palmadas ardidas na bunda, em seguida ele acaricia o lugar afetado, diminuindo a ardência. Continua estocando com força, meu corpo se aquece e estremece. Me contorço, me entregando a outro orgasmo, ele urra e goza dentro de mim. Desabamos na cama. Não foi uma transa intensa como sempre, foi selvagem e desesperada, como se ele quisesse me provar algo. Meus olhos umedecem, merda de sentimentos confusos! Rafael me vê secar as lágrimas e sair da cama.

— Day, eu…. — Ele tenta me tocar, mas me esquivo, estou magoada.

— Por que você faz isso comigo?

— Vais ter que ser mais específica.

— Me fez me apaixonar e me trata como um mero casinho, gosta de me ter à sua disposição? — O encaro. Rafael está irritado.

— Não és um caso, que droga! Não entendes que eu te amo!? — Grita. Fico sem reação. Ele pega meu rosto entre as mãos e me encara. — Sou apaixonado por ti, sabes disso há anos. — Se declara e sorrimos um para o outro. — Mas as circunstâncias não nos favorecem. — Diz e se afasta, como se tivesse algum arrependimento.

— Minha prima diz que tudo o que é dito antes do “mas” é merda sem importância. — Comento, voltando a me vestir. Ouço seu suspiro.

— Faz as malas. 

— Como? 

— Vais comigo a Lisboa. — Diz, se vestindo. Ele fecha a calça e sai. 

— Besta. — Sorrio.


  Acordo ao som de “Need You Now”, de Shane Filan. Rafael murmurava a letra. Olho pela janela do Audi A3 preto dele, ao longe podia ver os prédios enquanto nos aproximávamos de Lisboa, estava garoando e já amanhecia. 

— Bom dia, diabinha. 

— Bom dia. 

— Bem-vinda a Lisboa. 

— Valeu. — Olho para ele, que sorria, tranquilo com a minha presença na cidade. Ele aperta meu joelho, esboço um sorriso. 

— Não está contente. — Não era uma pergunta. 

— Não. 

— Por quê? 

— Estou com fome. — Explico e ele ri. 

— Então vamos alimentar essa rapariga faminta. — Brinca. — Conheço o lugar perfeito para tomar o pequeno almoço. — Sorri, dirigindo para uma rua paralela à que estávamos. 


 Paramos em frente a uma padaria popular. O cheiro era ótimo. 

— Onde estamos? 

— Vais provar a melhor empanada do mundo. 

— Empanada? — Ergo uma sobrancelha e encaro o lugar. 

— Sim, mas antes. — Ele abre o porta-luvas e pega uma caixa de presente. — Eu disse que tinha um presente pra ti. — Ele sorri. 

— Que pesado, hein, o que é? 

— Algo que sempre me pediste, abre e vais ver. — Me incentiva. Arqueio a sobrancelha, rasgo o papel de presente e abro a caixa. Sorrio ao sentir o cheiro. Dentro da caixa havia seis barras de chocolate branco de meio quilo cada. Meus olhos devem estar brilhando agora. Ouço a risada dele.

— Caramba…

— Feliz? 

— Você é incrível. — Elogio e o beijo, ele sorri. 

— Eu sei, mas obrigado. 

— Besta convencido. — Desço antes dele e coloco o capuz do sobretudo preto para me proteger da garoa. Rafael colocou a mão nas minhas costas e me guiou para dentro, onde duas garçonetes circulavam e uma senhora rechonchuda entregava os pedidos. Ela sorri e vem a nós ao ver Rafael. 

— Vagner, bambino, que bom te ver!

— Nona! Já estava com saudades tuas. — Ele abraça a senhora e beija suas bochechas gordas. 

— Ciao, Vagner. — Um homem com uns 32 anos nos encara. Era moreno, barba por fazer e vestia um terno da Armani. Não sei porque diabos os italianos têm mania de ser tão charmosos. Sinto Rafael apertar minha cintura, possessivo, reviro os olhos. 

— Giuseppe, Buongiorno. 

— Buongiorno. — Retruca, sério. Homens…. Ele me encara por uns segundos, beija a senhora na testa e sai. Que climão! 

— E então, mio figlio, o que é que queres? — A senhora nos encara, era engraçado ver ela misturar português e italiano. Rafael sorri. Perguntar o que ele vai comer é pedir para falir, pois ele não tem um estômago, tem um buraco negro. 

— Vou ficar com o de sempre Nona, em dobro. Mas antes,  deixa-me apresentar minha amiga do Brasil, Daiane Gomes.  

— Oh, una brasiliana?! — Diz com um sotaque italiano, sorrio. 

— Buongiorno Nona, é um prazer vir a um lugar que me deixa com água na boca. 

— Oh! Buongiorno la mia ragazza, grazie! — Ela sorri. — Giulia! Atenda o Vagner e a fidanzata dele. 

— Está bem, Nona! — A jovem se aproxima, sorridente. Nos sentamos enquanto faço meu pedido. 


 Depois do café da manhã, fomos para o apartamento dele. Segundo Rafael, era temporário, até a casa dele ficar pronta. Era bem simples, decoração minimalista e cores frias, um típico apartamento de homem solteiro. A única diferença era o pequeno bonsai florido perto da janela, uma graça. Ele coloca minhas malas no quarto e vai tomar um banho enquanto eu exploro os canais de TV. 

— Preciso ir trabalhar. — Rafael me beija na cabeça. — Vais ficar bem aqui? 

— Sim, não vou fugir, palavra de escoteira. 

— Não há escoteiras no Brasil, espertinha. Volto para jantar contigo. 

— Está bem, bom trabalho. 

— Obrigado. Sinta-se em casa, tem muita coisa na geladeira, diverte-te. 

— Pode apostar que vou. — Digo, olhando a TV, que me mostrava uma lista de animes.

— Tenho a certeza que sim. 

— Não precisa ter sempre a última palavra em tudo, sabia? 

— Eu sei, mas tu gostas. — Ele sorri e sai. 

— Besta. 

— Mas amas-me mesmo assim! — Grita da porta. Eu o encaro, ele pisca pra mim e sorri, fechando a porta. 

— Convencido. — Cruzo os braços e encaro a TV. 


    Os dias em Lisboa estavam sendo ótimos. Eu ficava o dia todo sozinha enquanto Rafael trabalhava. Às vezes eu trabalhava nos meus rascunhos de futuros livros, outras vezes trocava mensagens com o Thom ou com a Gabi, para saber como estavam as coisas em casa. Depois do almoço eu descia para o jardim do hotel e ficava ouvindo música enquanto lia alguma coisa ou fazia pesquisas para meus futuros livros. À noite, fazia o jantar e esperava pelo Rafael. Olhando de fora, éramos o casal perfeito. Sempre que chegava, ele me dava um beijo e se sentava para jantar. Conversávamos sobre nossos dias, ele tomava banho e assistíamos alguma coisa antes de ir para cama, mas só dormíamos mesmo depois de uns três orgasmos. A coisa era sempre igual, todos os dias começavam e terminavam do mesmo jeito. Santa rotina. 



Bom dia Day, como estão as coisas em Portugal? 


Bom dia Thom, as coisas vão bem! 

Lisboa é linda, apesar de eu não sair muito. 

Salvaterra de Magos também é encantadora, e o Rafael…. Bem, é o Rafael que conhecemos. 


Que ótimo! 

Por aqui tá tudo bem também. 

A faculdade está indo bem e os amigos

 estão mais loucos que ontem. 


Legal! 

Fico feliz que esteja se divertindo, 

além de estudar. 

Na volta eu vou tirar um

 tempo pra visitar você. 


Beleza, vamos te esperar! 

Agora deixa eu voltar pra aula, beijo na bunda.


Ok, beijo na bunda.




  Hoje é sábado. Rafael decidiu que vamos ficar em Lisboa até semana que vem, no dia 22, sexta-feira, quando ele estará liberado para passar o Natal e o Réveillon com a família. Como hoje é fim de semana, estamos indo a uma boate para nos divertir, e para quebrar a rotina. 


   Olho para o letreiro assim que paramos, Black Nightclub. O manobrista pega minha mão e me ajuda sair, mas logo Rafael está ao meu lado com a mão na minha cintura, possessivo. Entramos na boate rapidamente por Rafael ter um anfitrião VIP. A música extremamente alta machuca os tímpanos e a luz me deixa zonza. Vamos direto ao bar, onde Rafael pede tequila com gelo e limão e eu fico no Blue Lagoon. Tomamos um shot de tequila de saideira enquanto esperávamos nossos drinks.


   “Let Me Love You Remix”, do DJ Snake e Justin Bieber tocava a todo vapor. Rafael dançava perto de mim, marcando território. Dançamos no mesmo ritmo, sempre nos tocando e provocando. 

— Queres beber mais alguma coisa, diabinha? — Pergunta ao meu ouvido. 

— Água. 

— Não saias daqui. 

— Sim senhor. — Continuo dançando. Fecho os olhos e me entrego as batidas da música. “Tear Drop Remix”, do Massive Attack, atinge meus ouvidos. Suspiro, sinto um corpo estranho colar ao meu, me afasto e dou de cara com um homem negro alcoolizado. Ele dançava e se esfregava nas mulheres. Me afasto um pouco e logo avisto meu loiro português retornando. Ele sorri e me entrega a água. 

— A divertires-te? 

— Com você, sempre. — Declaro. Viro a garrafa na boca e quase a cuspo na cara dele. — Que merda é essa Rafael?! — Ralho. Ele gargalha jogando a cabeça para trás. Olho o rótulo da garrafa. — Água com gás? Seu pilantra, não quero essa porcaria!! — Empurro a garrafa no peito dele, que ainda se matava de rir. — Besta. — Murmuro, revirando os olhos. Ele me olha divertido e me entrega outra garrafa. Olho o rótulo, água sem gás. Bebo com prazer e vejo ele beber aquele veneno, ainda sustentando um sorriso no rosto. Ele estava feliz e eu estava feliz, mas sabia que era temporário. O tempo não espera ninguém, logo seria janeiro e eu voltaria ao Brasil.






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